Durante mais de uma década, a publicidade médica no Brasil foi guiada por uma regra restritiva, escrita antes de as redes sociais se tornarem o principal canal de descoberta de profissionais de saúde. Em março de 2024, isso mudou.
A Resolução CFM nº 2.336/2023 substituiu a antiga Resolução 1.974/2011 e passou a permitir práticas que antes eram vedadas: divulgar preços, mostrar equipamentos, fazer campanhas e publicar imagens de pacientes com finalidade educativa.
Mais liberdade, porém, não significa ausência de regras. A nova resolução define condições claras para cada uma dessas práticas, e o descumprimento continua sujeito a processo ético. Este guia organiza o que mudou, o que é permitido, o que continua proibido e como transformar essas regras em uma estratégia de comunicação.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a leitura da resolução nem a orientação do seu Conselho Regional de Medicina.
O que é a Resolução CFM 2.336/2023
É a norma do Conselho Federal de Medicina que regula a publicidade e a propaganda médica no Brasil. Ela foi publicada no Diário Oficial da União em 13 de setembro de 2023 e entrou em vigor em 11 de março de 2024, 180 dias depois.
Para apoiar a aplicação, o CFM lançou em março de 2024 o Manual de Publicidade Médica e um site com perguntas e respostas e um quadro comparativo entre as regras antigas e as novas.
A resolução vale para qualquer peça de comunicação do médico: perfil no Instagram, site, anúncios no Google, vídeos, entrevistas e materiais impressos.
O que mudou com a nova resolução
- Imagens de pacientes: passaram a ser permitidas com caráter educativo e autorização do paciente. Antes, eram proibidas.
- Antes e depois: permitido, com indicações, evoluções satisfatórias e insatisfatórias e possíveis complicações.
- Preço da consulta e dos serviços: pode ser divulgado.
- Campanhas promocionais: permitidas.
- Equipamentos: podem ser mostrados, se aprovados pela Anvisa.
- Depoimentos de pacientes: podem ser repostados, de forma sóbria e não reiterada.
- Selfies: permitidas, individuais ou com a equipe.
O quadro comparativo oficial entre as duas resoluções está no site de publicidade médica do CFM.
O que o médico pode divulgar
Preços e condições. O valor da consulta e dos serviços pode ser informado. Campanhas promocionais também são permitidas. Na prática, isso abre espaço para comunicar pacotes, condições de pagamento e ações sazonais, desde que sem sensacionalismo.
Estrutura e equipamentos. O médico pode mostrar o consultório, a clínica e os equipamentos que utiliza, desde que aprovados pela Anvisa. Mostrar a estrutura ajuda o paciente a entender a segurança e a qualidade do atendimento.
O próprio trabalho nas redes sociais. É permitido divulgar a rotina, a atuação e os serviços prestados, além de republicar publicações de pacientes ou de terceiros que respeitem as regras.
Selfies e bastidores. Fotos do médico, sozinho ou com a equipe, estão liberadas. Elas aproximam o paciente do profissional e humanizam a comunicação.
Depoimentos. Elogios e depoimentos de pacientes podem ser repostados, desde que sejam sóbrios, não tenham adjetivos de superioridade nem sugiram promessa de resultado, e não sejam republicados de forma reiterada.
Peças institucionais. O médico pode participar de anúncios das instituições e dos planos de saúde em que atua.
As regras para imagens de pacientes e antes e depois
Este é o ponto de maior interesse para quem atua em especialidades estéticas e cirúrgicas, e também o de maior risco. As condições são cumulativas:
- Finalidade educativa. A imagem deve ensinar algo ao paciente, e não apenas exibir um resultado.
- Relacionada à especialidade registrada. O médico só pode mostrar casos da especialidade em que tem registro.
- Texto didático. A publicação precisa explicar as indicações e os fatores que podem afetar negativamente o resultado.
- Resultados reais e variados. O antes e depois deve trazer evoluções satisfatórias e insatisfatórias e as possíveis complicações.
- Sem manipulação. A foto não pode ser editada ou melhorada por programas.
- Anonimato e autorização. O paciente não pode ser identificado e deve autorizar o uso, autorização que pode ser retirada a qualquer momento.
- Banco de imagens com fonte. Se a imagem não for própria, é preciso citar a origem e respeitar os direitos autorais.
Na prática, o antes e depois deixou de ser uma vitrine e passou a ser um conteúdo educativo. Quem trata a imagem como aula, e não como anúncio, fica dentro da regra e ainda constrói mais confiança.
Títulos, especialidade e RQE
- Nome e CRM devem aparecer nas peças de divulgação, junto com o RQE quando houver especialidade.
- Só é especialista quem tem residência médica reconhecida pela CNRM ou aprovação em prova de sociedade de especialidade filiada à AMB. Nesses casos, o RQE deve ser informado.
- Pós-graduação lato sensu pode ser apresentada como currículo, mas acompanhada da expressão "NÃO ESPECIALISTA", em letras maiúsculas.
Esse é um dos erros mais comuns em perfis de medicina estética: apresentar-se como especialista em uma área sem o título correspondente.
O que continua proibido
- Promessa de resultado ou garantia de sucesso de tratamento.
- Sensacionalismo e autopromoção em conteúdos que deveriam ser educativos.
- Adjetivos de superioridade, como "o melhor", "o único" ou "referência absoluta".
- Imagens manipuladas ou que identifiquem o paciente sem autorização.
- Equipamentos sem aprovação da Anvisa.
- Marcas de medicamentos, órteses, próteses e insumos. Os produtos podem ser citados, mas sem nome comercial ou fabricante.
- Ensinar técnicas médicas a não médicos, vedação que continua valendo.
- Filmagem de procedimentos por terceiros, salvo no parto. O próprio médico pode registrar seus procedimentos com consentimento formal do paciente.
Em entrevistas, o médico deve declarar conflitos de interesse. Quem descumpre as regras responde às comissões de divulgação de assuntos médicos (Codames) dos conselhos regionais.
Como transformar as regras em estratégia
A resolução não é só um limite. Ela também mostra o caminho para uma comunicação que gera confiança, que é o que decide a escolha do paciente em saúde.
- Eduque antes de vender. Conteúdos que explicam indicações, riscos e cuidados são permitidos, constroem autoridade e qualificam o paciente antes da consulta. Veja como estruturar isso em marketing de conteúdo para médicos.
- Mostre o processo, não só o resultado. Estrutura, equipe, protocolos e bastidores comunicam segurança sem esbarrar em promessas. O Instagram para médicos é o canal natural para isso.
- Use preço com estratégia. Informar valores filtra contatos, mas deve vir acompanhado do que está incluído e por que aquilo tem valor.
- Padronize as informações obrigatórias. Nome, CRM e RQE na bio, no site, nos anúncios e nos materiais.
- Crie um checklist de aprovação. Antes de publicar um antes e depois, confira as sete condições acima.
Na Inventio, todo conteúdo e campanha parte dessas regras, tanto no marketing médico quanto no marketing para clínicas de estética.
Checklist rápido antes de publicar
- A peça tem nome, CRM e, se for o caso, RQE?
- Há alguma promessa de resultado ou adjetivo de superioridade?
- A imagem de paciente tem finalidade educativa, texto didático, autorização e anonimato?
- O antes e depois mostra indicações, evoluções variadas e complicações?
- A foto está sem edição?
- O equipamento mostrado é aprovado pela Anvisa?
- Algum produto aparece com marca comercial?
Perguntas frequentes sobre publicidade médica
É a norma do Conselho Federal de Medicina que regula a publicidade médica no Brasil. Publicada em setembro de 2023 e em vigor desde 11 de março de 2024, ela substituiu a Resolução 1.974/2011 e passou a permitir, com regras, a divulgação de preços, equipamentos, campanhas e imagens de pacientes com finalidade educativa.
Pode, desde que a publicação tenha finalidade educativa, seja da especialidade registrada, traga texto sobre indicações e fatores que afetam o resultado, mostre evoluções satisfatórias e insatisfatórias e possíveis complicações, não tenha edição de imagem e preserve o anonimato do paciente, que precisa autorizar o uso.
Sim. A Resolução CFM 2.336/2023 permite informar o preço de consultas e serviços e também fazer campanhas promocionais. A comunicação deve evitar sensacionalismo e promessa de resultado.
Não. Só é especialista quem tem residência reconhecida pela CNRM ou título de sociedade de especialidade filiada à AMB, com RQE. A pós-graduação lato sensu pode aparecer no currículo, acompanhada da expressão "NÃO ESPECIALISTA".
Pode, desde que de forma não reiterada e com conteúdo sóbrio, sem adjetivos de superioridade e sem sugerir promessa de resultado. Depoimentos que exaltam o médico como "o melhor" ou garantem um resultado continuam em desacordo com a resolução.
O caso pode ser analisado pela comissão de divulgação de assuntos médicos (Codame) do conselho regional e gerar processo ético-profissional. Por isso, vale revisar cada peça antes de publicar e, em caso de dúvida, consultar o CRM.
Marketing médico que gera confiança e respeita as regras.
A Inventio estrutura posicionamento, conteúdo, mídia e atendimento de médicos e clínicas dentro da Resolução CFM 2.336/2023.
Conheça o método Inventio


